Cirurgia Aberta para o Cancro da Próstata

Em que Consiste a Cirurgia Clássica Aberta?

A cirurgia aberta, também conhecida por prostatectomia radical aberta, é a abordagem cirúrgica clássica, na qual o cirurgião acede à próstata por meio de uma incisão na pele. 

Nesta intervenção, o objectivo é extrair a totalidade da glândula prostática e alguns tecidos adjacentes. Nalgumas situações, removem-se também os gânglios linfáticos localizados na zona pélvica. 

A cirurgia por via clássica envolve um maior tempo de recuperação, embora o procedimento em si seja habitualmente mais rápido, em comparação com a cirurgia laparoscópica da próstata.

Trata-se de uma intervenção urológica significativa, importante e difícil, pela sua potencial agressividade, pela delicadeza e destrezas cirúrgicas que a sua correcta realização implica.

A cirurgia é indicada para doentes portadores de tumores clinicamente localizados (≤ T2c da classificação TNM) ou em alguns casos de tumores localmente avançados (estadiamento T3, na mesma classificação).

Como é o procedimento da Cirurgia Clássica Aberta?

A intervenção por via aberta dura cerca de 2 horas, dependendo da complexidade do caso. 

Como a próstata se encontra numa localização profunda na pélvis e está rodeada por vasos sanguíneos, há um risco considerável de hemorragia. 

Existem dois tipos de cirurgia clássica aberta, a Prostatectomia Radical Retropúbica e a Prostatectomia Radical Perineal.

Prostatectomia Radical Retropúbica

Nesta abordagem, o cirurgião realiza uma incisão na zona baixa do abdómen - na região que vai do umbigo até ao osso púbico. 

O procedimento é feito com anestesia geral ou raquidiana - em que ficam anestesiados a parte inferior do corpo, abdómen e membros inferiores.

Caso haja suspeita que o tumor pode ter afectado os gânglios linfáticos perto da próstata, o cirurgião pode também decidir retirar estas estruturas anatómica, através de um processo designado linfadenectomia. 

Em casos específicos, tenta-se preservar os nervos que se encontram em contacto com a próstata, por forma a: 

  • Minimizar o tempo de recuperação do doente; 
  • Preservar ou minimizar o impacto na função eréctil;
  • Reduzir o risco de incontinência pós-operatória.

No final da intervenção cirúrgica, é inserido um catéter na uretra para ajudar o doente a urinar. Este passo é realizado ainda com o doente sob o efeito da anestesia - pelo que não sentirá nada. O tubo maleável e fino será retirado dentro de 1 a 2 semanas, para permitir a cicatrização dos tecidos, nomeadamente da união entre a bexiga e a uretra. 

 

Prostatectomia Radical Perineal

Nesta abordagem, que praticamente já não é utilizada nos nossos dias, o cirurgião faz uma incisão na pele entre o ânus e o escroto.

A técnica caiu em desuso e actualmente raramente é efectuada, pois os nervos não são salvaguardados, podendo levar à perda da capacidade de erecção e também porque os gânglios linfáticos próximos à próstata não podem ser removidos.

A Prostatectomia radical perineal tem, por norma, um período de recuperação mais rápido e menos doloroso. Se for realizada por cirurgiões experientes, tem a mesma eficácia que a abordagem retropúbica. 

Após a cirurgia, o procedimento é semelhante. 

O catéter que foi colocado na uretra para ajudar o doente a urinar será removido dentro de 1 a 2 semanas. É expectável que um doente operado por esta via fique uns dias internado no hospital antes de ter alta médica. 

Riscos e Complicações da Cirurgia Clássica Aberta

A prostatectomia radical é uma cirurgia major, e como tal, existem alguns riscos associados à intervenção. Hemorragia durante a intervenção, dano nos orgãos adjacentes à próstata e infecções, são os efeitos indesejáveis que podem ocorrer durante a cirurgia.  

No entanto, a ocorrência de complicações depende de vários factores, relacionados com o doente, as características do tumor e a equipa médica. 

Os mais importantes são: 

  • Agressividade do cancro;
  • Eventual disseminação do tumor para outras parte do corpo;
  • Experiência e expertise do médico cirurgião;
  • Estado geral de saúde do doente. 

As complicações pós-operatórias mais frequentes são a incontinência urinária e a disfunção eréctil, embora estas manifestações possam também ocorrer noutro tipo de terapêuticas. No entanto, é possível tratar e minimizar estes efeitos secundários, melhorando substancialmente a qualidade de vida dos homens que são afectados por estes. 

Quanto ao controlo “da bexiga” (continência), este ocorre de forma gradual, ao longo das semanas ou meses após a cirurgia. 

Quer saber mais sobre a Cirurgia Clássica aberta?

A cirurgia aberta tens bons resultados, mas é uma intervenção major e complexa. É indicada nos casos em que o tumor não se espalhou para locais distantes no corpo, tais como ossos e sistema linfático.

Como é o pós-tratamento da Cirurgia Clássica Aberta?

Após a alta hospitalar, em casa, é importante que o doente mantenha uma boa higiene da cicatriz, que deve estar sempre limpa e seca. 

Nos primeiros dias, é normal sentir desconforto no local da incisão ou uma sensação de tensão da pele. O médico pode prescrever alguns medicamentos para aliviar este incómodo.

Quando o catéter é retirado, é normal haver perdas de urina, que são geralmente passageiras. 

Após o procedimento cirúrgico, e no espaço de um mês após a intervenção, o doente regressa ao consultório para uma consulta de follow-up

Por norma, no primeiro ano, seguem-se consultas de três em três meses, que posterior e gradualmente serão mais espaçadas. 

O objectivo destas consultas é avaliar a eficácia do tratamento e ajudar os doentes a lidarem com os eventuais efeitos secundários. 

Todos os doentes que realizam uma prostatectomia radical devem ser seguidos durante, pelo menos, 15 anos.

Caso os níveis de PSA aumentem (sobretudo se ocorrerem subidas graduais em três exames seguidos), o doente pode ter uma recidiva do cancro da próstata, ou seja, pode acontecer a recorrência da doença. Nestes casos, é necessário realizar alguns exames complementares, para melhor se avaliar e definir a situação, de modo a efectuar a terapêutica mais adequada a cada doente.

Dr. José Santos Dias

Director Clínico do Instituto da Próstata

  • Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
  • Especialista em Urologia
  • Fellow do European Board of Urology
  • Autor dos livros "Tudo o que sempre quis saber Sobre Próstata", "Urologia fundamental na Prática Clínica", "Urologia em 10 minutos", "Casos Clínicos de Urologia" e "Protocolos de Urgência em Urologia"

Perguntas Frequentes sobre a Cirurgia Clássica Aberta para o Cancro da Próstata

A Cirurgia Clássica Aberta cura o cancro da próstata?

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Para que serve a Prostatectomia Radical Aberta?

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A Prostatectomia Radical Aberta tem complicações conhecidas?

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Como é feito o acompanhamento do doente após a cirurgia clássica aberta?

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Referências

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