Quais são os Tratamentos que existem para o Cancro da Próstata?

Existem vários tratamentos para o cancro da próstata. A escolha da terapêutica depende do estádio de progressão do tumor. 

Se for diagnosticado precocemente, é tratável e apresenta um prognóstico favorável, com reduzido impacto na qualidade de vida

Nos casos mais avançados, o tratamento tem uma função paliativa. Procura-se controlar a doença, impedir a sua progressão e limitar as queixas dos doentes. 

O cancro da próstata é uma das doenças oncológicas que mais afeta os homens portugueses. Porém, muitos negligenciam os sintomas ou evitam fazer importantes exames de rastreio.

Para tratar, é preciso detectar. Daí a importância do diagnóstico.

Com o intuito de esclarecer dúvidas comuns, neste artigo, explicamos os diversos tipos de tratamento e em que casos são indicados.

 

Exames de eleição no Diagnóstico do Cancro da Próstata

As primeiras informações sobre o estadiamento do cancro da próstata são determinantes para entender qual o tipo tratamento mais eficaz. 

Como em qualquer outra doença, é fundamental avaliar o doente na sua globalidade. 

Assim, o exame objectivo geral faz parte da avaliação dos doentes com problemas da próstata e, especificamente, com suspeita de cancro da próstata.

Um exame mais dirigido, focalizado na área urológica, deve seguir-se a este exame geral. Entre o leque de exames disponível, encontra-se o toque rectal e a medição dos níveis de PSA

 

O que é o Estadiamento do Cancro da Próstata?

O estadiamento do cancro da próstata faz-se mediante a avaliação das características relevantes do tumor, o seu tipo histológico e grau de desenvolvimento. 

Procura-se determinar se o mesmo se encontra confinado ao órgão ou, se pelo contrário, já se espalhou e desenvolveu metástases.

A avaliação faz-se de acordo com a classificação TNM, um sistema internacional de classificação de tumores malignos, elaborado pela União para Controlo Internacional de Cancro

A avaliação é dividida em três categorias:

  • Categoria T (tamanho do tumor)
    • T0: sem evidências de células cancerígenas; 
    • T1 a T4: escala que determina o tamanho ou crescimento local do tumor (quanto mais elevado o número, maior a sua dimensão). 
  • Categoria N (células cancerígenas nos gânglios linfáticos)
    • N0: ausência de metástases;
    • N1: grau de afetação dos gânglios (quanto mais elevado o número, maior o comprometimento);
    • N2: maior número de gânglios ou gânglios mais distantes do tumor primitivo. 
  • Categoria M - Presença de metástases
    • M0: ausência de metastização;
    • M1: presença de metástases. 

Face a esta categorização, é possível determinar o estádio de desenvolvimento e o tratamento respectivo mais adequado. 

 

Que tipos de Tratamento existem para o Cancro da Próstata?

O tratamento do cancro da próstata difere quando o tumor está localizado no órgão ou quando já se encontra à distância (avançado).

Os tratamentos para o tumor localizado têm complicações de risco intermédio e são efectuados normalmente em doentes com mais de 10 anos de esperança de vida. 

 

Braquiterapia

A braquiterapia é uma das técnicas com melhores resultados, sobretudo nos tumores com baixo risco ou risco intermédio. 

O tratamento consiste na colocação de implantes radioactivos no interior da próstata. É frequentemente designado de radioterapia interna ou intersticial. 

O procedimento é feito sob controlo ecográfico e em tempo real, com anestesia geral. Tem menos efeitos secundários - comparativamente à cirurgia - e o tempo de internamento é diminuto, tal como o tempo em que o doente fica algaliado. 

 

Cirurgia

A cirurgia é indicada no tratamento de tumores localizados, embora também ofereça bons resultados nas fases mais avançadas do tumor. O objectivo é remover a glândula prostática e os tecidos envolventes. 

Existem várias técnicas cirúrgicas: laparoscópica, robótica e cirurgia aberta. A indicação para cada uma delas depende do volume da próstata e da situação clínica do doente ou da disponibilidade da técnica (há urologistas que não efectuam as técnicas laparoscópicas e centros onde estas não estão disponíveis).

 

Radioterapia Externa

A terapêutica mediante a radioterapia externa procura eliminar ou retardar a multiplicação das células cancerígenas através da aplicação externa de raios de alta energia, em várias sessões. 

A dose total de radiação e a duração do tratamento, variam de acordo com o estadiamento do tumor. 

Quando se trata de um cancro avançado, podem ser associados outros tratamentos, como é o caso da hormonoterapia ou da crioterapia, se ocorrer recidiva. 

 

Crioterapia

A crioterapia recorre a temperaturas extremamente baixas para destruir as células tumorais. A técnica envolve a inserção de sondas (agulhas) por via perineal. O médico tem o auxílio da ecografia para guiar o procedimento. 

O tratamento é feito sob anestesia geral ou raquidiana, apresenta riscos mínimos e preserva os órgãos próximos à próstata.

 

Hormonoterapia

Nalguns casos, em função da idade e do grau histológico do tumor, o tratamento passa apenas pelo bloqueio hormonal através de fármacos. 

Aqui, o objectivo é controlar a doença, sem que outras terapêuticas sejam utilizadas.

Contudo, podem existir efeitos secundários indesejáveis, tais como a osteoporose, alterações sexuais, de humor ou queixas depressivas. 

 

O que esperar após o Tratamento de Cancro da Próstata?

Após qualquer tipo de terapêutica, o doente é acompanhado pelo médico em consultas regulares. 

No primeiro ano após a intervenção, por norma, a cada 3 meses - tanto nos tumores localizados como nas situações de cancro avançado. 

A partir do 2º. ano, o prazo das consultas pode ser alargado para um período de quatro a seis meses.

No Instituto da Próstata, desde a primeira consulta, os doentes recebem todos os cuidados necessários, para que obtenham o melhor diagnóstico e tratamento possíveis.

Não adie para amanhã. Marque uma consulta de diagnóstico ou ligue-nos se tiver alguma dúvida. Estamos do outro lado da linha.

Dr. José Santos Dias

Director Clínico do Instituto da Próstata

  • Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
  • Especialista em Urologia
  • Fellow do European Board of Urology
  • Autor dos livros "Tudo o que sempre quis saber Sobre Próstata", "Urologia fundamental na Prática Clínica", "Urologia em 10 minutos", "Casos Clínicos de Urologia" e "Protocolos de Urgência em Urologia"

Artigos Relacionados

Pedido de Marcação de Consulta