Cirurgia Clássica Aberta para HBP

Em que consiste a Cirurgia Clássica Aberta?

A cirurgia clássica aberta, também designada de prostatectomia aberta, é uma técnica cirúrgica que envolve a remoção do tecido hiperplásico por forma a restaurar o fluxo urinário normal. 

Por se tratar de uma intervenção cirúrgica aberta, mais agressiva do que outras alternaativas, está geralmente reservada para situações muito específicas, tais como: 

  • Homens com próstatas volumosas;
  • Existência de cálculos volumosos no interior da bexiga;  
  • Presença de divertículos, quando há necessidade de serem removidos.

A via clássica pode também ser utilizada quando o doente, por qualquer razão, não pode estar na posição necessária à realização de outras técnicas efectuadas por via endoscópica, através da uretra.

A cirurgia aberta pode ser realizada através da bexiga, designado-se de Prostatectomia Trans-vesical ou trans-cervico-capsular ou sem abrir a bexiga, a Prostatectomia Retro-púbica (preferível e mais frequentemente realizada). 

Apesar de ser um procedimento mais invasivo, parece ter resultados ligeiramente superiores às técnicas endoscópicas, em relação à percentagem de melhoria das queixas do aparelho urinário inferior e do fluxo máximo urinário. 

Como é o procedimento da Cirurgia Aberta?

O procedimento envolve a realização de uma avaliação médica prévia, bem como um leque de exames e análises.

O doente não deve comer, beber ou fumar nas horas que antecedem a cirurgia. Pode também ser necessário interromper alguma medicação alguns dias antes da intervenção. 

O paciente deve receber todas estas indicações por parte do médico especialista que o acompanha. 

Dada a natureza da intervenção, a cirurgia é realizada com anestesia geral ou raquianestesia (ou seja, com perda temporária da sensibilidade dos membros inferiores e da zona inferior do abdómen). 

Em qualquer das opções anestésicas, o doente não sente qualquer dor ou desconforto durante a intervenção cirúrgica.

O objetivo da cirurgia aberta é retirar o tecido obstrutivo e hiperplásico, mantendo a próstata periférica intacta. 

  • O procedimento envolve a realização de um incisão na pele de pequenas dimensões (geralmente entre 7 a 10 cm), logo abaixo do umbigo.
  • A partir deste ponto de acesso à próstata, realiza-se uma enucleação digital do tecido hiperplasiado, através da cápsula da próstata ou da bexiga (menos recomendada). 
  • Depois de se isolar a próstata, o cirurgião retira o tecido que está a provocar a obstrução/compressão da uretra, localizado no interior do órgão. 

A cirurgia aberta tem óptimos resultados na melhoria dos sintomas da HBP.

Não sendo uma cirurgia isenta de riscos, a taxa de mortalidade é muito baixa, sendo, no conjunto das várias técnicas e cirurgias, inferior a 0,25%.

Efeitos Secundários

Os doentes que recebem tratamento cirúrgico apresentam significativas melhorias das queixas urinárias e da qualidade de vida.

Além dos riscos e complicações comuns a qualquer outra cirurgia (relacionados com a anestesia, hemorragia, infecções), existem outras complicações específicas, sobretudo relacionadas com:  

  • Ejaculação retrógrada;
  • Incontinência urinária (um dos riscos mais temidos mas muito raro em casos de cirurgia benigna; associada geralmente a cirurgia efectuada por cancro da próstata).

A disfunção eréctil é outra das complicações pós-operatórias temidas, mas é muito rara em casos de cirurgia por aumento benigno da próstata. Alguns doentes apresentam, inclusivamente, melhoria da função eréctil, pois ocorre um alívio das queixas urinárias.

A taxa de reintervenção é de cerca de 1 a 2% ao ano.

Quer saber mais sobre a Cirurgia Aberta por via clássica?

Esta intervenção é indicada para homens com sintomas urinários graves e glândula prostática muito aumentada. Esta cirurgia devolve significativa qualidade de vida aos doentes.

Como é o Pós-tratamento da Cirurgia Aberta?

Os doentes operados são avaliados no pós-operatório imediato, nos dias a seguir à operação e diariamente até à alta.

Durante o procedimento, há necessidade de recorrer a um catéter que se mantém nos dias seguintes à cirurgia. Este tubo fino e maleável garante a correcta drenagem da urina e permite a irrigação do órgão com uma solução que impede a formação de coágulos. 

O catéter será retirado, assim que a ferida sarar e o doente não tiver quaisquer problemas em urinar. Por norma, o paciente deve contar com 5 a 7 dias de internamento hospitalar. Consoante o seu estado de saúde, poderá demorar entre 2 a 6 semanas até recuperar totalmente da intervenção cirúrgica.

Os doentes operados precisam de manter uma vigilância regular da próstata, uma vez que a cirurgia não dispensa o controlo regular deste órgão. 

Deve ser realizada uma consulta entre os 15 dias e o mês após a cirurgia e, habitualmente, nova consulta cerca de 3 meses depois da intervenção. Passado este período, os doentes devem realizar, pelo menos, uma avaliação anual, com toque rectal e PSA, para o diagnóstico precoce de cancro da próstata.

Dr. José Santos Dias

Director Clínico do Instituto da Próstata

  • Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
  • Especialista em Urologia
  • Fellow do European Board of Urology
  • Autor dos livros "Tudo o que sempre quis saber Sobre Próstata", "Urologia fundamental na Prática Clínica", "Urologia em 10 minutos", "Casos Clínicos de Urologia" e "Protocolos de Urgência em Urologia"

Perguntas Frequentes sobre a Cirurgia Clássica Aberta para HBP

Quando é que se faz uma Cirurgia Clássica Aberta para HBP?

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Quais são as variantes mais utilizadas desta Cirurgia?

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Numa Cirurgia Clássica Aberta para HBP a próstata é totalmente retirada?

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Existem complicações associadas à Cirurgia Clássica Aberta?

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