Terapêutica Médica para HBP

Em que consiste a Terapêutica Médica no Tratamento da HBP?

A terapêutica médica inclui a utilização de fármacos no alívio dos sintomas provocados pela Hiperplasia, bem como a adopção de medidas que permitem manter as queixas urinárias sob controlo. 

A medicação é importante nos casos em que a sintomatologia é grave e limitativa, com impacto significativo na qualidade de vida dos doentes. Quando este tratamento não tem os efeitos esperados, a abordagem cirúrgica é a alternativa a seguir. 

Porém, nos casos mais leves, é possível que os doentes consigam gerir os sintomas de forma eficaz, com mudanças de hábitos e comportamentos. 

Como é feita a Terapêutica Médica?

Medidas comportamentais

Há diversas medidas que o doente pode adoptar para ajudar a aliviar as queixas provocadas pela HBP. 

Destas estratégias comportamentais e de modificação de hábitos, destacam-se:

  • Reduzir a ingestão de líquidos a partir do fim da tarde (para diminuir o número de vezes que se urina de noite) ou em situações em que se preveja um acesso difícil a casas de banho (por exemplo antes de espectáculos);
  • Urinar antes de sair do trabalho (quando se regressa a casa), antes de fazer uma viagem e durante a mesma;
  • Esvaziar a bexiga regularmente (de 2/2 ou de 3/3 horas, por exemplo) e não tentar reter a urina; urinar quando se sente a primeira vontade de urinar;
  • Evitar passar muito tempo sem urinar, porque tal pode levar a um grande enchimento e distensão da bexiga;
  • Evitar alguns alimentos (por exemplo, os ácidos ou os picantes);
  • Efectuar a expressão da uretra (”espremer” a uretra) no final da micção pode ajudar a evitar o gotejo de urina no final da micção;
  • Evitar medicamentos que possam contribuir para agravar os sintomas (por exemplo, descongestionantes nasais). 

Estas e outras medidas devem ser discutidas com o urologista, de modo a torná-las o mais eficazes possível, mas também para saber até que ponto são ou não suficientes para evitar o agravamento da doença e que cause as complicações que podem surgir no caso de progredir sem tratamento.

 

Medidas farmacológicas 

No tratamento médico da HBP, existem três grandes grupos de medicamentos que podem ser utilizados:

  • Alfa-bloqueantes (tansulosina, alfuzosina, doxazosina e, o mais recente, silodosina);
  • Inibidores da 5-alfa redutase (finasteride e dutasteride);
  • Extratos de plantas – fitoterapia (inúmeras substâncias foram testadas, sendo a mais utilizada a serenoa repens).

Medicamentos Alfa-bloqueantes

Estes medicamentos promovem o relaxamento do músculo liso existente na parte inferior da bexiga (zonas designadas por trígono e colo da bexiga), na próstata e em torno da uretra.

Consegue-se, deste modo, uma diminuição da resistência ao fluxo urinário, melhorando este e outros sintomas.

Actualmente, os fármacos mais utilizados dividem-se em dois tipos, uns mais “uro-selectivos” (silodosina e tansulosina), actuando especificamente nas zonas atrás referidas, outros menos “uro-selectivos” (alfuzosina e doxazosina), ou seja, que actuam também no músculo liso existente noutros locais do organismo, nomeadamente nos vasos sanguíneos (com maior risco de causarem uma baixa da tensão arterial). 

 

Indicações e Resultados:

A maioria dos doentes melhora com esta terapêutica ao fim de apenas alguns dias.

Esta opção farmacológica está indicada em próstatas de todas as dimensões e volumes.

Contudo, é geralmente necessária a terapêutica prolongada e contínua com este tipo de medicamentos. Estes medicamentos não alteram geralmente o volume prostático nem os valores do PSA.

 

Inibidores da 5-alfa redutase

Estes medicamentos inibem uma enzima que faz a conversão da testosterona (a hormona masculina) num seu derivado (chamado dihidrotestosterona – DHT), no interior da próstata. 

Por sua vez, este derivado promove o crescimento da próstata, pelo que o bloqueio daquela enzima faz com que ocorra uma diminuição da DHT no interior da próstata - inibindo o crescimento deste órgão e podendo mesmo provocar uma redução do seu volume. 

Estes medicamentos provocam também uma diminuição do valor do PSA.

 

Indicações e Resultados:

Os fármacos deste grupo produzem melhores resultados em glândulas com mais de 40cc. Só devem ser utilizados em próstatas de volumes elevados.

As melhorias dos sintomas e do fluxo urinário são obtidos após alguns meses de tratamento.

O finasteride e o dutasteride, os fármacos deste grupo, reduzem o risco de retenção urinária aguda e a necessidade de cirurgia, bem como a hematúria (presença de sangue na urina).

As melhorias obtidas, no entanto, conseguem-se à custa de alguns efeitos secundários que em alguns doentes podem ser relevantes. 

Em mais de 10% dos casos, observam-se efeitos secundários importantes, sobretudo em termos sexuais, como a diminuição da líbido (desejo), problemas de erecção (disfunção eréctil), redução da quantidade de esperma e aumento de volume mamário.

 

Fitoterapia

A fitoterapia consiste na utilização de extratos de plantas (sementes, frutos, raízes, etc.). 

É um tipo de tratamento é popular e apelativo, porque existe a convicção generalizada de que estes produtos “mal não fazem” – o que nem sempre é verdade. 

Se um produto tem efectivamente algum efeito benéfico, tem seguramente – e sempre – algum risco associado de desencadear efeitos secundários.

Os produtos mais utilizados são:

  • Serenoa repens (fruto do Palmeto);
  • Casca de Pygeum africanum;
  • Sementes de abóbora (Cucurbita pepo);

Há ainda outros que são utilizados, tais como as raízes de uma planta da África do Sul designada “Star grass”, pólen de centeio, urtiga, raízes de Echinacea purpurea, etc.

Quer saber mais sobre a terapêutica médica para a próstata aumentada?

O seu médico vai ajudá-lo a escolher o melhor tratamento para o seu caso concreto, sugerir medidas que melhorem substancialmente a sua qualidade de vida e monitorizar a resposta à terapêutica. A melhor estratégia de tratamento depende da gravidade dos seus sintomas e da resposta à terapêutica instituída.

Como é o Acompanhamento da Terapêutica Médica?

Cada grupo de fármacos tem um efeito específico, um modo de acção particular e potenciais efeitos secundários também específicos. 

Face a esta realidade, o doente sob terapia médica deve ser acompanhado com consultas regulares, por forma a aferir a eficácia do tratamento e das medidas de alívio da sintomatologia.

Caso seja necessário, é feito um reajuste na medicação ou sugeridas outras medidas. 

O objectivo é sempre ajudar o doente a gerir com eficácia os sintomas da doença e a conseguir melhorar, de forma significativa, a sua qualidade de vida. 

Dr. José Santos Dias

Director Clínico do Instituto da Próstata

  • Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
  • Especialista em Urologia
  • Fellow do European Board of Urology
  • Autor dos livros "Tudo o que sempre quis saber Sobre Próstata", "Urologia fundamental na Prática Clínica", "Urologia em 10 minutos", "Casos Clínicos de Urologia" e "Protocolos de Urgência em Urologia"

Perguntas Frequentes sobre a Terapêutica Médica para HBP

Qual é o tratamento mais adequado para a HBP?

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É possível tratar a HBP através de tratamento farmacológico?

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Qual é a importância do Tratamento Farmacológico?

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Como actuam os medicamentos alfa-bloqueantes?

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Qual é a eficácia dos alfa-bloqueantes no Tratamento da HBP?

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Referências

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