Quais são os Estádios do Cancro da Próstata e Por que Razão Importam?

O cancro da próstata pode ser travado. Existem diversos tratamentos eficazes. Mas para que a terapêutica seja um sucesso é preciso conhecer tudo o que for possível sobre este tumor maligno.  

Um dos aspectos mais importantes no tratamento está relacionado com o estadiamento da patologia, ou seja, a fase de desenvolvimento, extensão e gravidade da doença oncológica. 

 

Em que consiste o Estadiamento do Cancro da Próstata?

O tumor na próstata pode evoluir de várias maneiras e apresentar diversos estados consoante a sua extensão, nomeadamente:

  • Crescimento apenas local, afectando somente o órgão;
  • Metastização para outros locais do organismo, nomeadamente para órgãos próximos; 
  • Metastização através do sistema linfático ou da corrente sanguínea para regiões distantes do local onde se desenvolveu inicialmente.

O estadiamento do tumor da próstata permite obter informações relacionadas com a sua localização e dimensão - para que seja possível avaliar a sua agressividade.

 

Qual é a importância de determinar os Estádios da Doença?

Conhecer todas as informações relevantes sobre o tumor permite definir cada situação clínica e fazer melhores decisões até ao objectivo final: a cura. 

O estadiamento permite determinar a fase de evolução da doença e, assim, o risco potencial que o tumor representa para cada doente.

Só conhecendo estes dados é possível identificar as melhores estratégias terapêuticas, pois os tratamentos variam consoante o caso clínico, a fase e a gravidade da doença.

Além do mais, identificar as fases do tumor permite fazer um prognóstico aproximado da situação - que piora quanto mais avançado for.

As respetivas taxas de sucesso e sobrevivência são:  

  • Tumores localizados:
    • Entre 98 e 100% aos 5 anos;
    • Entre os 90 e os 95% aos 10 anos.
  • Tumores localmente avançados: 
    • Cerca de 75% aos 5 anos;
    • Cerca de 60% aos 10 anos.

Nos tumores avançados, a taxa é variável e depende de outros factores, como a idade e a presença de outras patologias, embora os resultados dos tratamentos sejam cada vez melhores.

Quais Sao Os Estadios Do Cancro Da Prostata E Por Que Razao Importam

 

Exames no Diagnóstico e Estadiamento do tumor da próstata

Uma das formas de conhecer a extensão do cancro é através de exames de diagnóstico, que podem ser pedidos de forma complementar. 

Os mais comuns são:

Toque Rectal

É o primeiro exame a ter em consideração e fornece informações relacionadas com o volume, consistência e morfologia da próstata.  

Assim, é possível verificar se existem anomalias no órgão, como nódulos, ou se existe um tumor que cresceu além dos limites normais da próstata.

 

PSA (Antigénio Específico da Próstata)

Basta uma análise sanguínea para se conhecer a fase de evolução da patologia. Por norma, quanto mais elevados forem os valores do PSA, maior é a probabilidade de a doença se encontrar num estado avançado.

 

Ressonância Magnética Nuclear Pélvica

Fornece, sobretudo, informação quanto à localização do tumor.

 

Ecografia Prostática

Exame pode fornecer informações válidas para o estadiamento do cancro, ou seja, para ajudar a determinar se um determinado tumor está ou não limitado ao órgão.

 

Cintigrafia óssea e Tomografia Computorizada

Permitem avaliar a extensão do tumor, ao identificar a eventual presença de células neoplásicas noutros órgãos, em gânglios ou nos ossos.

 

PET

Este exame pode dar informação útil em várias fases da doença, sendo em alguns casos seleccionados solicitado no momento do diagnóstico.

 

Sistema de Estadiamento da Doença Oncológica da Próstata

Recolhidos os dados sobre o tumor através de exames, é possível definir o estadiamento da doença. 

O sistema de classificação mais utilizado, desenvolvido pela União para Controlo Internacional de Cancro, designa-se por TNM (Tumor Node Metastasis, de Tumor Gânglio Metástase). Permite descrever o estádio do tumor da seguinte forma:  

  • T: tumor primário da próstata;
  • N: possível presença de tumor nos gânglios linfáticos;
  • M: evidência de metástases, muito frequentes nos ossos.

A categoria T pode ser classificada de T0 a T4, sendo que o primeiro diz respeito a um quadro sem células cancerígenas detectáveis e o último a uma situação de cancro local de maiores dimensões. 

Relativamente à categoria N, pode ir de N0 a N2, sendo que o primeiro indica ausência de metástases nos gânglios linfáticos e o segundo significa maior número de gânglios afetados ou mais distantes do local de origem do tumor. 

Por fim, quanto à categoria M, pode ser classificada como M0 (ausência de metástases) ou M1 (presença de metastização). 

Mas para além de se conhecer a localização e extensão da doença, é importante também identificar o tipo de tumor.

 

Que tipo de tumor está presente?

O cancro da próstata corresponde a um nível diversificado de neoplasias, que se expressam de formas distintas. A mais comum é conhecida por adenocarcinoma. Esta forma afecta as células epiteliais do tecido glandular da próstata, e corresponde a 90-95% de todas as neoplasias malignas deste órgão.

Ainda assim, este tipo pode variar quanto à sua agressividade: quanto mais rapidamente as células se multiplicarem, mais agressiva e grave é a patologia. 

Habitualmente, para avaliar este parâmetro os médicos especialistas servem-se do Score de Gleason, cujos valores de gravidade situam-se entre uma classificação de 6 e 10. 

De forma geral, os tumores cuja classificação:

  • Corresponde aos valores 8, 9 e 10 são de maior agressividade;
  • Os que se encontram no nível 7 são considerados intermédios;
  • Os tumores de grau 6 são os menos agressivos e tendem a progredir mais lentamente.

Actualmente utilizar-se ainda uma outra classificação, da ISUP (International Society of Urological Pathology), já adoptada pela OMS (Organização Mundial de Saúde), que classifica os tumores em graus, que vão de 1 a 5. 

 

Diagnóstico rigoroso com os profissionais do Instituto da Próstata

Quando os médicos especialistas conhecem a localização, extensão e, consequentemente, a gravidade do tumor, são capazes de adequar o tratamento à agressividade do cancro e à condição clínica do doente.  

Daí a importância de se fazer um estadiamento rigoroso e com a máxima precisão.  

Porém, tudo começa no diagnóstico. Marque uma consulta. Beneficie da experiência dos profissionais do Instituto da Próstata e dos seus equipamentos inovadores.

Dr. José Santos Dias

Director Clínico do Instituto da Próstata

  • Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
  • Especialista em Urologia
  • Fellow do European Board of Urology
  • Autor dos livros "Tudo o que sempre quis saber Sobre Próstata", "Urologia fundamental na Prática Clínica", "Urologia em 10 minutos", "Casos Clínicos de Urologia" e "Protocolos de Urgência em Urologia"

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